A entrevista foi originalmente publicada aqui: https://open.substack.com/pub/edwardslavsquat/p/trump-and-putin-are-puppets-of-israel
É com grande prazer que dou as boas-vindas de volta ao blog ao jornalista moldavo exilado Iurie Rosca. Minhas conversas anteriores com Iurie[1] («A queda do liberalismo para a tecnocracia global»[2] e «Putin: Uma perspectiva alternativa»[3]) foram instigantes e extremamente populares. Muita coisa aconteceu desde nossa última entrevista, há quase dois anos. De fato, desde então, Rosca foi condenado à revelia em sua terra natal, a Moldávia, como parte de uma perseguição política[4]. Sou muito grato a Iurie por ter concordado em responder a algumas perguntas, apesar de sua situação difícil e precária.
O mito de Putin como uma personalidade poderosa, como um ditador, é apenas uma cortina de fumaça para este regime oligárquico e xenocrático que usurpa o poder na Rússia às custas do povo russo. Não confundamos o teatro político com o ato de tomar decisões, o espetáculo para o público em geral com o verdadeiro poder político.
Ao longo dos últimos duzentos anos, muito se escreveu sobre o fato de que, com a ascensão da classe mercantil e usurária, especialmente após a Revolução Francesa de 1789, a própria política morreu, subordinada ao fator econômico. E a Rússia, absorvida pelo paradigma neoliberal do Ocidente coletivo em 1991, não é exceção a essa regra. Isso a diferencia dos países do «eixo da resistência» que o Kremlin trai um após o outro: Líbia, Iraque, Síria, Venezuela, Irã. E, no caso de Putin, a famosa expressão do filme «O Poderoso Chefão» se encaixa perfeitamente: «Nada pessoal, apenas negócios».
Quatro anos após o início da intervenção militar russa na Ucrânia, fica claro que o Kremlin está conduzindo esta guerra de uma maneira diametralmente oposta à de um regime ávido por uma vitória militar inequívoca. Caso contrário, teria havido uma mobilização geral da economia para as necessidades da guerra, bem como uma mobilização maciça de recrutas para as ações militares. Mas é preciso notar que a economia russa funciona da mesma forma que antes da guerra, e a sociedade russa continua a existir como antes de 2022, incluindo eventos culturais, esportivos e turísticos, etc. Espetáculos e entretenimento florescem em um país que sofre enormes perdas humanas, centenas de milhares de mortes, destruição e ataques massivos de drones diariamente. Lembre-se, na Ucrânia, apenas mercenários lutam, não o exército regular russo. Cada combatente tem um contrato com o Ministério da Defesa e recebe um salário mensal por matar nesta guerra. Sendo assim, podemos falar em uma guerra patriótica?
E o fato de o regime de Putin ter aceitado o papel do presidente dos EUA como mediador para pôr fim à guerra demonstra a subordinação de Moscou a Washington. Nesse caso, toda a retórica belicosa do Kremlin sobre o infame «Ocidente Coletivo» torna-se ridícula. Sabe-se que os EUA estão por trás do regime sionista em Kiev e buscam a destruição da Rússia por meio dessa guerra por procuração. As constantes geopolíticas dos EUA em relação à Rússia permanecem invariáveis há muito tempo. Essas constantes geopolíticas não mudam dependendo de quem assume o papel de presidente — na verdade, um fantoche dos banqueiros ou do Estado Profundo.
A estratégia dos americanos em relação à Rússia deriva do Império Britânico e é motivada pela obsessão de controlar os vastos recursos naturais desse país. Contudo, Washington não pode realizar uma agressão militar direta contra a Rússia, como fez na destruição de países do Oriente Médio e da Venezuela. Por isso, neste caso, os EUA operam por meio de terceiros e preferem conflitos militares prolongados, que levarão ao esgotamento total do país alvo.
O paradoxo da situação da Rússia nos últimos anos reside na sua relação de «dupla vassalagem». Desde a imposição de sanções ocidentais em 2014, a Rússia redirecionou suas exportações de matérias-primas, como petróleo, gás, madeira, metal, etc., para a China, que colonizou completamente o mercado russo. De fato, a Rússia tornou-se a república das bananas da China. Ao mesmo tempo, a aceitação de Trump como mediador na guerra da Ucrânia pelo Kremlin revela a posição de vassalagem de Moscou em relação a Washington.
Ao mesmo tempo, vale a pena notar quem são os principais negociadores dos EUA e da Rússia na questão do fim da guerra na Ucrânia. A delegação americana é chefiada pelo ultra-sionista Jared Kushner, genro de Trump, e por Steve Witkoff, ambos «proeminentes incorporadores imobiliários americanos» e afiliados à seita fundamentalista hassídica Chabad-Lubavitch. Nenhum dos dois pode ser considerado diplomata profissional. Em vez disso, representam certos interesses religiosos e econômicos.
O enviado de Putin é uma figura igualmente interessante: Kirill Dmitriev, que estudou nos Estados Unidos e trabalhou em grandes corporações americanas antes de retornar à Rússia. Basta uma breve olhada em sua biografia[8] para perceber que ele representa os interesses do capital americano na Rússia.
Além disso, parece que ele pertence à mesma tribo dos dois «diplomatas» americanos mencionados anteriormente. Presumir que esse triunvirato representa, respectivamente, os interesses dos estados que formalmente os delegaram a esses cargos seria um grave erro. Eles representam apenas os grandes negócios, nada mais.
Lembre-se também de que Zelensky continua sendo uma pessoa que Moscou não tem permissão para tocar. Nesse sentido, veja a entrevista do ex-primeiro-ministro de Israel, Naftali Bennett, que se gabou de que Putin lhe prometeu[9], no início da guerra, que Zelensky não seria alvo dos russos.
Os objetivos oficialmente declarados por Moscou não foram alcançados. Em vez disso, os objetivos ocultos daqueles que controlam este jogo sangrento foram completamente atingidos. O objetivo principal — o assassinato do maior número possível de russos e ucranianos — já foi alcançado. A guerra também levou com sucesso à destruição da economia e da sociedade ucranianas. O êxodo massivo da população nativa também levou ao despovoamento da Ucrânia — outro objetivo concluído. Sim, a guerra já foi «vencida», mas continua porque serve para auxiliar na implementação acelerada da estratégia satanista chamada Agenda 2030 da ONU, que visa estabelecer uma tirania tecnocrática mundial, um GULAG digital global. Além do espetáculo macabro associado a esta guerra e a outras guerras em curso, esconde-se o princípio oculto Solve et coagula («dissolver e coagular»), destinado a estabelecer a Nova Ordem Mundial, na qual a distopia transumanista se tornará a norma.
- Gaza foi alvo de limpeza étnica (novamente) e arrasada (desta vez permanentemente?) por Israel, e agora está ocupada pelas Forças de Defesa de Israel;
- A Síria caiu (e Putin deu uma calorosa recepção ao novo presidente da Al-Qaeda no Kremlin);
- Os militares dos EUA «sequestraram» Maduro em Caracas. (Ainda não sei o que pensar desse episódio bizarro.) Será que o «Eixo da Resistência» sequer existe?
Enquanto essa realidade não for compreendida em toda a sua profundidade e tragédia, qualquer tentativa de análise geopolítica será parcial e implicitamente distante da verdade.
Conhecemos muito bem o chamado «consenso pós-guerra» que tornou o assunto tabu, mas a necessidade de compreender os principais acontecimentos do mundo atual nos obriga a abandoná-lo. Para que seja possível destruir o «Eixo da Resistência», a máfia sionista precisa, antes de tudo, garantir a eliminação de qualquer risco de fortes reações da Rússia e da China em apoio aos países que se opuseram ao eixo Tel Aviv-Washington. Para tanto, imediatamente após a queda do regime comunista, a Rússia foi fortemente infiltrada por redes de influência sionistas.
Eles conseguiram penetrar massivamente nas estruturas do poder estatal, na mídia e, principalmente, na economia. No caso de Putin, sua própria ascensão ao cargo de chefe de Estado não foi estranha a essa rede. O nome de Henry Kissinger merece ser lembrado a esse respeito.
E no círculo mais próximo de Putin durante seus 25 anos no poder, vale a pena mencionar pelo menos algumas figuras-chave desse lobby: Anatoly Chubais, Sergei Kiriyenko-Izraitel, que foi[10] primeiro-ministro de Boris Yeltsin antes de se tornar chefe de gabinete de Putin[11], o Rabino Chefe da Rússia, Berel Lazar, da seita Chabad Lubavich (que chegou à Rússia vindo de Nova York em 1990), e o oligarca Roman Abramovich, apelidado de «a carteira de Putin», entre outros.
É sob essa perspectiva que se deve analisar a impotência da Rússia em apoiar os países atacados pelo eixo Israel-EUA. Moscou sempre se limita à retórica crítica, mas, na prática, abandona os países que dependem de seu apoio. E a atitude dúbia em relação ao genocídio na Faixa de Gaza, bem como em relação à política terrorista do Estado de Israel no Líbano, na Síria, no Irã, na Palestina, etc., demonstra a subordinação da política externa russa à causa do sionismo internacional.
E seis anos depois, após a substituição de três juízes, em 2 de agosto de 2024, fui condenado em primeira instância a 6 anos de prisão. Desta vez, a ordem partiu da Presidente Maia Sandu, expoente da rede mafiosa de Soros na Moldávia (eles detêm todo o poder no Estado). E em 25 de setembro de 2025, fui condenado pelo Tribunal de Apelação a 4 anos de prisão. Desta vez, a decisão é executória.
No entanto, estou muito longe do meu país e, por enquanto, é mais difícil ficar preso. A situação não é nada simples, mas não posso desistir da minha luta de uma vida inteira. Não sou aceito por nenhum centro de poder, não busco favores de ninguém, acredito em Deus e cumpro meu dever como jornalista e editor.
Quem quere pode ler os meus trabalhos no meu blog.
Referencias
- https://arcaluinoe.info/en/autor/iurierosca/#articole
- https://edwardslavsquat.substack.com/p/the-fall-from-liberalism-to-global
- https://edwardslavsquat.substack.com/p/putin-an-alternative-perspective
- https://edwardslavsquat.substack.com/p/seven-years-in-prison-for-refusing
- https://edwardslavsquat.substack.com/p/putin-an-alternative-perspective
- https://www.bloomberg.com/news/articles/2025-09-30/russia-still-top-supplier-of-us-nuclear-fuel-despite-import-ban
- https://tass.com/politics/1894067
- https://en.wikipedia.org/wiki/Kirill_Dmitriev
- https://www.theguardian.com/world/2023/feb/05/putin-promised-me-he-would-not-kill-zelenskiy-says-former-israeli-pm-naftali-bennett
- https://www.jta.org/archive/russian-legislature-queries-acting-premiers-link-to-israel-2
- https://carnegie.ru/commentary/65015
- https://edwardslavsquat.substack.com/p/seven-years-in-prison-for-refusing
